sexta-feira, 24 de abril de 2009

Cecília Meireles agora...

É preciso não esquecer nada


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.


É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.


O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.


O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.


O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

Olavo Bilac

Não estou num dia legal hoje. Uma mistura de dor de dente + noite mal dormida + carência + cabeça que pensa/problematiza demais me deixou tristonha. Tudo o que queria hoje é silêncio, colo e nada mais... Mas, volto pra realidade e aqui estou, sozinha em casa, ainda com as dores, o sono, a carência.

Com tudo isso, resolvo que tenho que fazer algo por mim, pois não posso ficar mal, não devo ficar mal: saio da cama, tomo mais um paracetamol 750mg, coloco uma música gostosa, entro no MSN e vou pro google procurar poemas do Olavo Bilac, que foi assunto entre eu e uma amiga via twitter na tarde. Achei dois poemas que refletem muito do que sinto, penso, creio, espero, enfim... Muito do que tenho vivido e do que também acredito. Por conta disso resolvi postá-los, em um dia que as palavras não sabem com tanta facilidade da minha boca e que não quero escrever um imenso texto sobre as coisas que tem, de alguma forma, me feito sofrer. Prefiro que Olavo Bilac fale aqui sobre amar do que eu sobre tristezas. Afinal... Tudo passa, até a uva passa! ;)


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Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Olavo Bilac


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Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

Olavo Bilac


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PS: Só não consigo melhorar de vez esse meu humor por conta dos autodesligamentos do computador.... Blé!!!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Ou corro ou fico parada

Hoje é um daqueles dias que eu sei tudo o que quero dizer, e ao mesmo tempo não sei como fazer... Um devaneio que começou há alguns dias, e que se potencializou após assistir hoje a tarde o filme "Sob o sol de Toscana"... Em uma das cenas do filme, uma das atrizes diz a outra que quanto mais joaninhas ela procurou em seu jardim, menos ela as achou. Um belo dia, ao adormecer quando havia desistido de procurá-las, acordou e foi surpreendida com uma que pousou em sua pele. Sua busca havia terminado ali, e as coisas não foram forçadas... Simplesmente aconteceu quando deveria.

Muitas vezes corremos atrás de algo com tanta gana que esquecemos que também devemos deixar as coisas virem até a gente. Nos acostumamos a viver em um mundo onde sempre temos que correr atrás de tudo, mas e se também permitirmos que as coisas cheguem até nós? Não digo com isso que não devemos fazer a nossa parte, mas temos que conquistar e também sermos conquistados... E é justamente o limite entre minhas ações e meu exercício de paciência a minha briga interna atual.

A real é que tô vivendo um ano surpreendente, e que tem desconstruído algumas crenças minhas sobre muitas coisas... Ficar confusa e sem saber pra onde correr vai ser mais do que natural nesse processo, mas é justamente o fato de não ter a certeza de que eu preciso correr tanto assim que me invoca. Nesse momento tenho somente a certeza do que quero, do que me faz bem, do que me bota um largo sorriso no rosto com coisas simples, mas isso não basta sem haver alguma forma de ação ou de "não-ação" pra acalmar meus ânimos. E aí... Agir ou esperar, eis a questão!

No fim das contas, só sei que tenho que manter minha fé de que as coisas vão dar certo, da forma que tiverem que acontecer... Foco, negrinha, foco. E vamos tocando o barco, porque não dá pra esperar soluções imediatas quando as coisas não dependem só da gente.

sábado, 4 de abril de 2009

Real significação da beleza

- Nossa, Carol!! Tu emagreceu! Como tu tá linda!


Esse diálogo breve é o que mais tenho ouvido de uns tempos pra cá...

Sempre fui cheinha, mas cresci me achando a criatura mais obesa do mundo, mesmo pesando uns 15 quilos a menos em comparação aos dias de hoje. Essa distorção da minha imagem corporal se dava pelo mundo em que eu vivia: bailarina de jazz, vivia em espetáculos e festivais de dança, ao lado de bailarinas esquálidas que tornavam minha forma física de "mulher brasileira bem servida" comparada a um balão.

Larguei a dança aos 21 anos, e com o encerramento das pressões constantes para emagrecer, engordei... E bizarramente passei a me gostar muito mais, algo que eu não esperava! Dentro disso tudo, passei a perceber o encaminhamento que muitas coisas estavam dando na minha vida, e percebi que o que fazia me sentir mais bonita não era a minha forma, e sim a felicidade que andava transbordando de mim.

Atualmente, passei a emagrecer desde alguns acontecimentos do verão e, principalmente, após o retorno ao trabalho na escola. Calculo, por cima, uns 5, 6 quilos a menos... Não sinto a mínima vontade de comer em alguns momentos, e sei que isso é motivado por cansaço, desânimo para estudar pro mestrado e algumas sérias pendengas/confusões pessoais a resolver... E são nessas horas, onde horrores de pessoas aparecem dizendo que estou linda é que fico pensando: do que adianta uma certa "boniteza externa" se por dentro a batalha comigo mesma é dura demais e nada bela?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Depeche Mode - Enjoy the silence

Essa música é a preferida de um amigo meu, por ter uma significação foda pra ele... O doido é que frente aos últimos acontecimentos, essa música foi a 1ª que me veio á cabeça e passou a ter um sentido foda demais para mim também. Foda no sentido de realista e de dolorido também. Frases dessa música bateram dentro de mim com muita força e chegaram a me levar às lágrimas, por conta do quão frágil tô me sentindo agora.

Conversei algumas vezes com ele sobre a ressignificação de algumas músicas na minha vida. I'm like a bird - Nelly Furtado é uma das músicas dessa categoria, pois a ouvi pela 1ª vez enviada pela pessoa que eu era por demais apaixonada na época como uma espécie de "convite à ruptura". Doeu muito na época, muito mesmo, mas hoje em dia consigo ouvir a música com uma docilidade que nem compreendo... Talvez tenha sido ela que me ajudou a ter força pra passar por aquela fase. Talvez em alguns momentos as palavras naquela música passaram a ter um sentido muito maior pra mim e eu relaxei ao ouvi-la. Talvez eu simplesmente tenha me "curado" e aquelas palavras não significaram mais tanto assim... Não sei, mesmo. Mas ela estava ali, numa fase complicada, e hoje a canto com a maior felicidade do mundo.

Depois surgiu Cake - Love you madly. Essa música, de uma das minhas bandas preferidas, foi a que embalou a 1ª história que tive depois da anterior, e foi tudo tão intenso e rápido e único que NUNCA uma música fez sentido tão rapidamente. Ela até hoje me traz aquela explosão, aquela euforia do período, e por mais que coisas tenham me chateado nessa relação ela NUNCA me fez derramar uma lágrima. Ela ficou como uma recordação gostosa por demais de uma história que... Acabou tão rápido como começou, mas deixou marcas por demais.

Trajetória - Maria Rita foi outra dessas músicas. Não curto sambas e afins, mas baixei o CD dela para a minha mãe e em outro período afetivo FODA³³³ ela caiu no shuffle do Winamp. Não sei porquê eu dei uma chance praquela música, e ao terminar de ouvi-la caí chorando. Foi a letra de música que, até hoje, mais falou sobre um período meu, onde não aguentava mais ouvir as mesmas coisas sem perspectivas de efetivamente mudar os acontecimentos. O doido foi que passei alguns dias cantando e chorando aquela música que, de tão FORTE, repassei a um amigo que estava em situação semelhante e ele não conseguiu ouvir por completo. Não teve coragem de continuar pra não acabar como eu: chorando. Dias depois da descoberta dela, acabei com toda a história e tirei um peso que eu carregava há quase 3 anos. A primeira audição da música após o término foi de um alívio sem fim... Pela primeira vez chorei de felicidade com ela.

Agora o Depeche Mode me veio com força à cabeça. E o doido é que ela me vem mais como uma paulada, porque eu sabia onde tudo ia dar. Algo sempre me disse isso, e depois da noite de ontem que eu vi as minhas certezas/medos se concretizando na minha frente ela ficou ainda mais forte ecoando na minha mente. O que eu queria em alguns momentos era o silêncio, a falta das palavras ditas e interpretadas de forma errônea, a falta de ter que pedir e ouvir desculpas, a falta de "momentos de falta de acabamento", em alguns momentos nem ter ouvido tudo o que ouvi... E também ter ouvido tudo isso e mais um pouco. As coisas que ouvi possuem sim um significado intenso pra mim, mas também me trazem incertezas, medo de me iludir por me perder nas palavras... Só queria, como na letra de "Enjoy the silence" é que tudo o que eu preciso agora estivesse nos meus braços, sem palavras... Já que quando mal ditas elas podem fazer mal.

As quatro histórias tem algo em comum, mesmo com todas as suas imensas diferenças: são pessoas que talvez até hoje não tenham ideia do quanto me transformaram, da quantidade de coisas que me ensinaram, que me mostraram que não há o porquê tentar seguir em uma relação onde tu não seja amigo e não se orgulhe diariamente de quem está do teu lado, que me fizeram confiar no olhar, no toque, no silêncio. Mas no fim também foram quatro pessoas que me deixaram com a sensação de que eu sou "desistível", que eu não valho os esforços, que... Por mais que eu escute sempre as mesmas belas palavras, das quais não desacredito, a métrica final acaba sendo a mesma na minha cabeça: sou muito boa, mas não valho a pena o esforço.

Depois as pessoas não entendem o porquê de eu demorar a me entregar às histórias... Medo. Maldito medo. Do quê? Das palavras que aparecem no final.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Canção das Mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não se vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos se precisar ficar um pouco quieta. Que, se estou apenas cansada, o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me dói a ideia da perda e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade, mas talvez por culpa ou acomodação. Que, se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo de que é culpa dele, ou que não o amo mais. Que, se estou numa fase má, o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde, nem dizendo: "olha que estou a ter muita paciência contigo". Que, se me entusiasmo por alguma coisa, o outro não a despreze nem me chame de ingénua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça. Que, se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro - filho, amigo, amante, marido - não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não posso ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que embora às vezes me esforce, não sou nem devo ser a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa ... uma mulher!


[texto encontrado numa comunidade do orkut que dizem ser da Lia Luft, mas nunca tenho certeza de nada nesse mundo virtual]

Simplicidade


Tássia, eu e Rê no meu aniver do ano passado, exibindo as tatuagens!


Acordei em um dia meio lenta hoje, sem muita vontade de fazer nada. Não é depressão nem nada, só vontade de ficar em casa, vegetando ou fazendo coisas que gosto, sem pensar naquele bafo nojento que tá lá na rua. Como sempre, uma das minhas programações acaba sendo ficar horas em frente ao computador, procurando músicas e conversando no MSN... E por esse caminho a minha cabeça começa a viajar.

Passei a pensar em acontecimentos recentes na minha vida, e em como coisas pequeninas me fazem um bem do caramba. Ouvir um amigo contando uma história que tá se encaminhando bem, ler uma fofoca engraçada, achar uma música nova e gostosa, ver alguém que tu gosta bem, se dar por conta que tu pode fazer as coisas darem certo de uma forma tranquila, sem grandes estresses, ou como nessa foto mesmo ali em cima, onde eu estava comemorando meu aniver com pessoas queridas por demais e de muletas... São coisinhas tão babaquinhas que muitas vezes nem nos damos por conta da importância desses pequenos momentos quando eles acontecem... Por isso não foi à toa que tatuei simplicidade na nuca (okay, já descobri que tá errado o desenho, mas é o MEU significado e pronto), e esse pedacinho de pele taí pra me lembrar das pequenas coisas diariamente.

Ai, vou parar de escrever e continuar viajando pela casa... =P
 

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