domingo, 15 de fevereiro de 2009

Depeche Mode - Enjoy the silence

Essa música é a preferida de um amigo meu, por ter uma significação foda pra ele... O doido é que frente aos últimos acontecimentos, essa música foi a 1ª que me veio á cabeça e passou a ter um sentido foda demais para mim também. Foda no sentido de realista e de dolorido também. Frases dessa música bateram dentro de mim com muita força e chegaram a me levar às lágrimas, por conta do quão frágil tô me sentindo agora.

Conversei algumas vezes com ele sobre a ressignificação de algumas músicas na minha vida. I'm like a bird - Nelly Furtado é uma das músicas dessa categoria, pois a ouvi pela 1ª vez enviada pela pessoa que eu era por demais apaixonada na época como uma espécie de "convite à ruptura". Doeu muito na época, muito mesmo, mas hoje em dia consigo ouvir a música com uma docilidade que nem compreendo... Talvez tenha sido ela que me ajudou a ter força pra passar por aquela fase. Talvez em alguns momentos as palavras naquela música passaram a ter um sentido muito maior pra mim e eu relaxei ao ouvi-la. Talvez eu simplesmente tenha me "curado" e aquelas palavras não significaram mais tanto assim... Não sei, mesmo. Mas ela estava ali, numa fase complicada, e hoje a canto com a maior felicidade do mundo.

Depois surgiu Cake - Love you madly. Essa música, de uma das minhas bandas preferidas, foi a que embalou a 1ª história que tive depois da anterior, e foi tudo tão intenso e rápido e único que NUNCA uma música fez sentido tão rapidamente. Ela até hoje me traz aquela explosão, aquela euforia do período, e por mais que coisas tenham me chateado nessa relação ela NUNCA me fez derramar uma lágrima. Ela ficou como uma recordação gostosa por demais de uma história que... Acabou tão rápido como começou, mas deixou marcas por demais.

Trajetória - Maria Rita foi outra dessas músicas. Não curto sambas e afins, mas baixei o CD dela para a minha mãe e em outro período afetivo FODA³³³ ela caiu no shuffle do Winamp. Não sei porquê eu dei uma chance praquela música, e ao terminar de ouvi-la caí chorando. Foi a letra de música que, até hoje, mais falou sobre um período meu, onde não aguentava mais ouvir as mesmas coisas sem perspectivas de efetivamente mudar os acontecimentos. O doido foi que passei alguns dias cantando e chorando aquela música que, de tão FORTE, repassei a um amigo que estava em situação semelhante e ele não conseguiu ouvir por completo. Não teve coragem de continuar pra não acabar como eu: chorando. Dias depois da descoberta dela, acabei com toda a história e tirei um peso que eu carregava há quase 3 anos. A primeira audição da música após o término foi de um alívio sem fim... Pela primeira vez chorei de felicidade com ela.

Agora o Depeche Mode me veio com força à cabeça. E o doido é que ela me vem mais como uma paulada, porque eu sabia onde tudo ia dar. Algo sempre me disse isso, e depois da noite de ontem que eu vi as minhas certezas/medos se concretizando na minha frente ela ficou ainda mais forte ecoando na minha mente. O que eu queria em alguns momentos era o silêncio, a falta das palavras ditas e interpretadas de forma errônea, a falta de ter que pedir e ouvir desculpas, a falta de "momentos de falta de acabamento", em alguns momentos nem ter ouvido tudo o que ouvi... E também ter ouvido tudo isso e mais um pouco. As coisas que ouvi possuem sim um significado intenso pra mim, mas também me trazem incertezas, medo de me iludir por me perder nas palavras... Só queria, como na letra de "Enjoy the silence" é que tudo o que eu preciso agora estivesse nos meus braços, sem palavras... Já que quando mal ditas elas podem fazer mal.

As quatro histórias tem algo em comum, mesmo com todas as suas imensas diferenças: são pessoas que talvez até hoje não tenham ideia do quanto me transformaram, da quantidade de coisas que me ensinaram, que me mostraram que não há o porquê tentar seguir em uma relação onde tu não seja amigo e não se orgulhe diariamente de quem está do teu lado, que me fizeram confiar no olhar, no toque, no silêncio. Mas no fim também foram quatro pessoas que me deixaram com a sensação de que eu sou "desistível", que eu não valho os esforços, que... Por mais que eu escute sempre as mesmas belas palavras, das quais não desacredito, a métrica final acaba sendo a mesma na minha cabeça: sou muito boa, mas não valho a pena o esforço.

Depois as pessoas não entendem o porquê de eu demorar a me entregar às histórias... Medo. Maldito medo. Do quê? Das palavras que aparecem no final.

1 comentários:

Mundo Sonnoro disse...

Esse medo é que sempre ferra as coisas. Medo de viver... de sentir... de sonhar.. de cair.. de doer. Te entendo bem, minha amiga. Oh se entendo.Não irei dizer "esquece o medo" pq de certo modo, o medo nos torna mais humanos frente a esses sentimentos. Se temos medo, é pq é forte.. tanto a ausência quanto a presença de algum sentimento. Enfim, não se esqueça do medo. Vença ele. ;)

 

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