Ninguém é capaz de compreender um dragão. Eles jamais revelam o que sentem. (…) já que o dia e a noite deles acontecem para dentro.
in “Os Dragões não Conhecem o paraíso”.
(postei dia desses no twitter, mas acho que o momento é propício para repetir essa passagem)
domingo, 16 de agosto de 2009
Caio Fernando Abreu
Pra ouvir Daft Punk de uma forma diferente...
E voltando ao tudo novo...
Tudo novo
E pra recomeçar os trabalhos devagar, vai um trecho do Rubem Alves que li no blog Poetriz... Passagem fantástica e realista.
Relata-se que São Francisco – a quem muito amo pregava aos peixes e às aves. Se a lenda é verdadeira imagino que os peixes e as aves, ouvindo a pregação do santo, riam e sorriam discretamente para não ofendê-lo. E isso porque não se pode pregar a seres perfeitos. Prega-se a seres imperfeitos para que eles se tornem perfeitos. Acontece que peixes e aves são perfeitos, são felizes naquilo que são. Peixes não querem ser aves. Aves não querem ser peixes. Mangueiras não pensam jabuticabas. Jabuticabeiras não pensam mangas. Fico pasmado, olhando uma jabuticabeira florida no Dali. Pobrezinha, teve galhos cortados, ficou espremida entre paredes. Mas ela tudo ignora. Está coberta de flores brancas. É como se tivesse caído neve. As flores têm aquele delicioso perfume de infância e pés descalços. As abelhas, atraídas pelo perfume, vêm e zumbem, zumbem … Assim é: cada bicho e cada planta estão contentes com o que são. São felizes no que são. Feuerbach, filósofopoeta sensível, observou sobre a desconhecida psicologia das plantas: “Se as plantas tivessem olhos, gosto e capacidade de julgar, cada planta diria que a sua flor é a mais bonita.” Esse não é o nosso caso. Somos os únicos seres que não estão contentes com o que são. Queremos ser diferentes. Por isso estamos infelizes e doentes.
Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA - O Sermão das Àrvores”
segunda-feira, 20 de julho de 2009
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Música
Desde pequena fui "musical", digamos assim... Meu lado bailarina me fez ter um ouvido bom para marcações de tempos, quebras musicais e detecção de algumas falhas, mas também fez ver o potencial que aquelas combinações de batidas possuíam. Ela me fazia vibrar, querer entrar no ritmo, me jogar ainda mais na batida. Meus irmãos foram os outros responsáveis pelas coisas que até hoje escuto, já que, na minha overdose de músicas infantis daquele período, eles que me mostraram os primeiros acordes de artistas que hoje em dia amo, como new order, depeche mode, madonna, the cure, entre muitos outros.
Passei por diversos modismos, assim como todo mundo, mas são as coisas que eu ouvia nos anos 80 que até hoje me marcam mais. Me lembro da 1ª vez que eu ouvi Stop!, do Erasure, num radinho indo para o serviço da minha mãe... Fiquei irritada porque tive que entrar no elevador e o rádio, obviamente, ficou sem sinal! Também me recordo do quanto dancei ao ouvir Pump up the jam, do Technotronic pela 1ª vez, em uma aula de jazz. Depois daquele dia, ouvia essa música à exaustão aqui em casa (não minha exaustão, e sim dos meus pais que não aguentavam mais aquele som berrando... hahahahaha). Justamente essas minhas tendências desse período é que me indicam muito do que curto hoje em dia, que me mostram com o quê vou endoidar em uma festa. E foram justamente as duas últimas festas que fui que me fizeram pensar em como a música muda o momento.
Amnésia - Cabaret do Beco - 09/07/2009
Durante um período da festa tive a oportunidade de subir junto ao DJ que estava tocando... Subi para fazer folia, dançar junto ali em cima, mas no meio da coisa comecei a ouvir a música que tocava. Olhei para a lista de possibilidades e vi que a batida de uma que eu queria encaixava. Pedi. Ele tocou. O povo dançou. Fiz isso mais uma vez. Again. And again. And again... No total escolhi seis músicas, e saí lá de cima faceira, pois não tinha esvaziado a pista! hahahhaahaha! Fiz as pessoas curtirem aquele momento, e isso foi legal.
NEON@Cabaret do Beco - 11/07/2009
A NEON efetivamente é a minha festa preferida, e mais uma vez, neste sábado, se provou o porquê: saí do Cabaret às 7h da manhã, meio contrariada, pois mesmo com as dores nos pés queria continuar dançando. Nunca uma NEON é igual à outra, e principalmente as atrações de fora, com o melhor que temos na cena nacional (e internacional aka. Greg Wilson) que dão o diferencial à festa. Se bem que... Os méritos do bom som foram todos dos residentes Cevallos e Ka-hara nessa última edição! xD
Resumo da ópera, depois de tanto falar em um dos textos mais prolixos que já escrevi... ahhaahahahahahaa: a música mais uma vez salvou meu fim de semana. Mesmo com todo o cansaço que noitadas geram, comecei a semana RENOVADA. Já baixei quilos de mp3's hoje, fora alguns álbuns que amo e perdi com essa pane no meu desktop. Mas o que bem sei é que me conforta saber que sempre quando as coisas apertam, sempre existe uma batida que ajuda a te salvar. ;)
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Religião
Tive uma formação católica apostólica romana: fui batizada, fiz comunhão, crisma, participava de movimento de jovens cristãos e tudo o mais... Até que em um momento nada mais fez tanto sentido assim pra mim, e acabei me tornando meio agnóstica. A única lembrança de momentos religiosos boas que me lembro não vêm da Igreja, e sim de uma casa espírita kardecista que minha mãe me levava.
Minha mãe diz que sou mais espiritualizada do que eu mesma imagino, e em alguns momentos também acho isso. Crença religiosa é o tipo de coisa que muitas vezes questionamos e paramos pra refletir qual o real sentido... Mas tem que ter realmente algum sentido?
Hoje foi aniversário de 30 anos da escola que eu trabalho, e para celebrar, entre outras atividades, foi celebrada uma missa. No começo me irritei por coisas pequenas que aconteceram, como a insinuação de que o fato de eu tocar Michael Jackson a pedido dos alunos fosse uma tremenda heresia: "Carol, desliga isso, o padre chegou, pelamordedeus!" era o que eu ouvia, e a única resposta que tive tempo de dar foi "e desde quando que música não é celebração da vida também?". Pra mim religião alguma tem sentido se não tiver a vida como foco... E no fim isso ficou marcado em mim.
Entre tantas passagens bíblicas lidas, músicas cantadas, comunhão, e assim vai, continuava vendo tudo como algo totalmente sem sentido. Nada me tocava. Nada. Mas duas situações aconteceram e uma delas quase me fez chorar... A primeira foi uma aluna, evangélica, que parou ao meu lado e começou a cantar um dos hinos. Ela tem uma voz maravilhosa, e mesmo achando a letra não tão boa quanto as da Igreja que ela frequenta, ela cantava. Cantava do meu lado, baxinho, pois tem vergonha que os outros escutem a voz dela. Ela tem uma história de vida horrenda, que faria qualquer um se largar, mas não: na crença em algo divino é que ela encontrou forças pra tocar o barco, e assim o faz muito bem, obrigado! Até que ponto todos nós não tocamos o barco também por no fundo acreditarmos em algo maior?
Por que simplesmente não passamos a acreditar mais em nós mesmos e nas pessoas que nos amam e nos rodeiam? Por que não acreditamos que as coisas boas da vida, que nos dão prazer, que nos fazem rir podem ser formas de celebrarmos o que temos e que não sabemos até quando vamos ter? Acho que religião acaba sendo um assunto tão complicado pra mim por não ver tanto sentido em pensar e crêr no que pode ser. Acho que se cada um depositasse essa fé um pouquinho em si, as coisas funcionariam muito melhor.

