quinta-feira, 2 de julho de 2009

Religião

Tive uma formação católica apostólica romana: fui batizada, fiz comunhão, crisma, participava de movimento de jovens cristãos e tudo o mais... Até que em um momento nada mais fez tanto sentido assim pra mim, e acabei me tornando meio agnóstica. A única lembrança de momentos religiosos boas que me lembro não vêm da Igreja, e sim de uma casa espírita kardecista que minha mãe me levava.

Minha mãe diz que sou mais espiritualizada do que eu mesma imagino, e em alguns momentos também acho isso. Crença religiosa é o tipo de coisa que muitas vezes questionamos e paramos pra refletir qual o real sentido... Mas tem que ter realmente algum sentido?


Hoje foi aniversário de 30 anos da escola que eu trabalho, e para celebrar, entre outras atividades, foi celebrada uma missa. No começo me irritei por coisas pequenas que aconteceram, como a insinuação de que o fato de eu tocar Michael Jackson a pedido dos alunos fosse uma tremenda heresia: "Carol, desliga isso, o padre chegou, pelamordedeus!" era o que eu ouvia, e a única resposta que tive tempo de dar foi "e desde quando que música não é celebração da vida também?". Pra mim religião alguma tem sentido se não tiver a vida como foco... E no fim isso ficou marcado em mim.


Entre tantas passagens bíblicas lidas, músicas cantadas, comunhão, e assim vai, continuava vendo tudo como algo totalmente sem sentido. Nada me tocava. Nada. Mas duas situações aconteceram e uma delas quase me fez chorar... A primeira foi uma aluna, evangélica, que parou ao meu lado e começou a cantar um dos hinos. Ela tem uma voz maravilhosa, e mesmo achando a letra não tão boa quanto as da Igreja que ela frequenta, ela cantava. Cantava do meu lado, baxinho, pois tem vergonha que os outros escutem a voz dela. Ela tem uma história de vida horrenda, que faria qualquer um se largar, mas não: na crença em algo divino é que ela encontrou forças pra tocar o barco, e assim o faz muito bem, obrigado! Até que ponto todos nós não tocamos o barco também por no fundo acreditarmos em algo maior?


Depois aconteceu um momento que eu considero clichê nesse tipo de eventos escolares, que é tocar a "oração da família", do Padre Zezinho. Fui até o notebook, dei play na música e saí para o canto. Só que eu não esperava a cena que eu iria assistir: Uma mulher, com uma criança que tem um mês (sei porque dei a vacina de paralisia infantil para ele), olhava o filho o chorava... Nisso, o marido quando percebeu o choro da mulher se emocionou também. Eles mostraram ali que acreditam em um algo maior chamado família, um algo concreto, e não um algo "hipotético".

Por que simplesmente não passamos a acreditar mais em nós mesmos e nas pessoas que nos amam e nos rodeiam? Por que não acreditamos que as coisas boas da vida, que nos dão prazer, que nos fazem rir podem ser formas de celebrarmos o que temos e que não sabemos até quando vamos ter? Acho que religião acaba sendo um assunto tão complicado pra mim por não ver tanto sentido em pensar e crêr no que pode ser. Acho que se cada um depositasse essa fé um pouquinho em si, as coisas funcionariam muito melhor.

2 comentários:

Lu disse...

Lindo post Carol.

Mary disse...

Carole, querida, estou adorando ter blog só pq de repente estou tendo a chance de poder ler coisas grandiosas, adorei o texto, adorei a refelxão. Obrigada por compartilhar esse momento comigo. um beijo

 

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