Estava a fim de mudar a cara desse blog há um bom tempo, mas sem a ajuda da Lu não teria conseguido! Valeu, xuxua!
E pra recomeçar os trabalhos devagar, vai um trecho do Rubem Alves que li no blog Poetriz... Passagem fantástica e realista.
Relata-se que São Francisco – a quem muito amo pregava aos peixes e às aves. Se a lenda é verdadeira imagino que os peixes e as aves, ouvindo a pregação do santo, riam e sorriam discretamente para não ofendê-lo. E isso porque não se pode pregar a seres perfeitos. Prega-se a seres imperfeitos para que eles se tornem perfeitos. Acontece que peixes e aves são perfeitos, são felizes naquilo que são. Peixes não querem ser aves. Aves não querem ser peixes. Mangueiras não pensam jabuticabas. Jabuticabeiras não pensam mangas. Fico pasmado, olhando uma jabuticabeira florida no Dali. Pobrezinha, teve galhos cortados, ficou espremida entre paredes. Mas ela tudo ignora. Está coberta de flores brancas. É como se tivesse caído neve. As flores têm aquele delicioso perfume de infância e pés descalços. As abelhas, atraídas pelo perfume, vêm e zumbem, zumbem … Assim é: cada bicho e cada planta estão contentes com o que são. São felizes no que são. Feuerbach, filósofopoeta sensível, observou sobre a desconhecida psicologia das plantas: “Se as plantas tivessem olhos, gosto e capacidade de julgar, cada planta diria que a sua flor é a mais bonita.” Esse não é o nosso caso. Somos os únicos seres que não estão contentes com o que são. Queremos ser diferentes. Por isso estamos infelizes e doentes.
Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA - O Sermão das Àrvores”
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1 comentários:
Não tem por onde queridona! Servimos bem para servir sempre ;)
rsrsrs
Eu adoro Rubem Alves. \o/
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