
Sabem sensação de dejavú? Aquela coisa que nos bate, e que do nada percebemos que a cena nos é familiar, mas não sabemos de onde? Hoje foi um dia repleto de sensações do tipo para mim, mas as coisas dentro de mim se potencializaram depois de assistir o filme "My Blueberry nights".
Esse filme já foi lançado há um bom tempo, e nunca o vi. Nunca fui atrás, nunca me interessei, simplesmente nunca tive curiosidade em vê-lo. Mas, após assisti-lo hoje, acho que fiz uma das melhores escolhas que poderia ter feito, visto que ele caiu como uma luva para as coisas que sinto atualmente. Entre as passagens que mais me tocaram, vai abaixo a transcrição da cena em que Elizabeth (Norah Jones) vai à procura de seu ex-namorado para se despedir dele, mas não consegue.
Como se pode dizer adeus a alguém com quem não se imagina viver sem?
Não disse adeus.
Não disse nada.
Só fui embora.
No final dessa noite, decidi ir pelo caminho mais longo para atravessar a rua.
Não disse adeus.
Não disse nada.
Só fui embora.
No final dessa noite, decidi ir pelo caminho mais longo para atravessar a rua.
Essa cena em especial me gerou uma espécie de angústia, por me lembrar de posicionamentos afetivos que vivo reafirmando em minha mente, em meu cotidiano, mas cada vez sinto essas convicções com menos força. Sabe quando as coisas não parecem partir realmente de ti? Pois é. Me sinto falsa, uma fraude, e o pior: comigo mesma. É complicado se perceber com tantos sentimentos bons e não poder expô-los, presa numa carapuça que foi criada por alguém que muito levou na cabeça e um dia resolveu se proteger, e todos nós compramos a idéia por puro medo: de nos relacionarmos, de que os outros percebam que somos frágeis e que o ficamos ainda mais quando gostamos de alguém, de simplesmente corrermos o risco de levar um "não" na cara. E com isso me sinto enfraquecendo nas minhas decisões, correndo o risco imenso de me expor novamente e mais uma vez acabar magoada... Tô perdendo a carapuça que vesti. Como no texto que a Grazi escreveu hoje (no www.grozelix.blogspot.com), me sinto um daqueles bonecos do clipe do Chemical Brothers que ela se refere, mostrando algo por fora, mas escondendo o que há por dentro. Só que o que está por dentro tá berrando, e não posso e não quero deixar que isso venha à tona.
Cansei de me sentir uma fraude.
Mas preciso deixar as coisas voarem.
Ou seja: estou em busca do meu mei0-termo.

3 comentários:
guardar só é pior.
Que fase é essa, que parece que tátodo mundo acordando?!
ps.:eu amoooooo esse filme!!!
acho que fui a primeira a ler esse post, mas vi em ti na hora, tive esse momento de presenciar a tua reação quanto ao filme. Guria, não guarda, não, a gente tem mesmo é que deixar de ter esse 'tapume' nod olhos.
Beijão te cuida!
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